everardo coelho/guia do idiota globalizado


Palavra inventada

            Nos próximos dias deverá estar pronto para lançamento meu livro de poemas Palabra inventada/Palavra inventada, edição bilíngüe espanhol/português de Jakembo, em Assunção. Está aí um dos poemas do livro:

  A luz

 

É uma esquina escura,

mas ao lado há um néon.

Na esquina, a menina é

seu próprio anúncio sem luz,

como se fora um néon

a quem se negasse corrente.

Só que ela é mais luminosa,

mais intensa que a forma que pisca

e tenta chamar a atenção

para os sapatos da loja.

A menina da esquina é mais luz,

é mais força que a hidrelétrica

que clareia a noite da rua.

Ela é, na saia minúscula

e na blusa amarrada no peito,

o brilho que enfrenta a sombra

da vida que é só negação.

Quando ela salta do ônibus

e instala um sorriso na cara,

naquela esquina escura

a luz dos deuses dispara.

Os homens que rondam a esquina

não vêem o que não seja ela.

Nem percebem que há um néon

inútil na sapataria.

E quando ela volta pra casa,

cansada de rebrilhar,

os deuses do desamparo,

por meio do choque

da realidade mesquinha,

recarregam-lhe a bateria

e deixam-na pronta

pra ser de novo amanhã

o sol que brilha de noite.

 

  La luz

 

Es una esquina oscura,

pero al lado hay un neón.

En la esquina, la chica es

su propio anuncio sin luz,

como si fuera un neón

a quien se negase corriente.

Solo que ella es más luminosa,

más intensa que la forma que parpadea

e intenta llamar la atención

sobre los zapatos de la tienda.

La chica de la esquina es más luz,

es más fuerza que la hidroeléctrica

que clarea la noche de la calle.

Ella es, en la pollera minúscula

y en la blusa amarrada en el pecho,

el brillo que enfrenta la sombra

de la vida que es solo negación.

Cuando ella baja del ómnibus

e instala una sonrisa en la cara,

en aquella esquina oscura

la luz de los dioses dispara.

Los hombres que rondan la esquina

no ven lo que no sea ella.

Ni perciben que hay un neón

inútil en la zapatería.

Y cuando ella vuelve a casa,

cansada de rebrillar,

los dioses del desamparo,

por medio del choque

de la realidad mezquina,

le recargan la batería

y le dejan lista

para ser otra vez mañana

el sol que brilla de noche.

 

 



Escrito por Everardo Coelho às 17h42
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